No dia 21 de Julho, o Sr. Yu Peng, cônsul-geral da China em São Paulo, publicou um artigo intitulado "China e Brasil estão entre fundadores de nova organização global de IA" no UOL. O artigo completo:

Entre 17 e 20 de julho, a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026 e Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA foi realizada em Shanghai, na China. Representantes oficiais de mais de 100 países e organizações internacionais, juntamente com convidados da academia, da indústria e do setor de pesquisa, reuniram-se sob o tema "Parceiros Inteligentes, Criando o Futuro Juntos". O evento abordou caminhos para promover o desenvolvimento ético e inclusivo da inteligência artificial (IA) no mundo, alcançando uma série de resultados expressivos.
O presidente chinês, Xi Jinping, compareceu à cerimônia de abertura e proferiu o discurso principal intitulado "Construir em conjunto um sistema justo e razoável para a governança global da IA". Ele apresentou de forma abrangente e sistemática a postura política e as propostas da China sobre o desenvolvimento e a governança da IA sob quatro pilares: desenvolvimento, segurança, civilização e governança.
Atualmente, a nova onda da revolução científica e transformação industrial, liderada pela IA, avança em ritmo acelerado, remodelando os modelos de desenvolvimento socioeconômico de maneira inédita, além de trazer novas oportunidades e desafios para a governança global. Como defensora ativa e pioneira na capacitação em IA, a China defende uma abordagem voltada para as pessoas e focada no bem comum. Devemos assegurar que a IA seja uma força motriz importante para a prosperidade compartilhada e segurança comum, promovendo um sistema justo e razoável para a governança global da IA — iniciativa que obteve ampla e positiva repercussão internacional.
Cultivo Ativo de um Ecossistema de Inovação Aberto
A inovação é o motor central do avanço da IA. A China combina a atuação de um mercado eficiente com a gestão de um governo proativo para fortalecer a inovação científica e tecnológica, impulsionando ativamente o plano "IA+". Como resultado, o valor do setor central da economia inteligente no país já ultrapassou a marca de 1 trilhão de yuans.
Apostando em uma inovação aberta e colaborativa, a China incentiva o código aberto, o compartilhamento e a cooperação, consolidando-se como uma grande colaboradora de softwares e modelos abertos. O volume acumulado de downloads dos grandes modelos abertos chineses ocupa o primeiro lugar no ranking mundial. Modelos de código aberto representativos, como DeepSeek e Qwen (Tongyi Qianwen), reduziram drasticamente as barreiras de entrada e os custos de uso da IA, permitindo que diversos países, em especial os em desenvolvimento, se beneficiem da onda de transformação digital. A China utiliza o ecossistema open-source como um elo para discutir inovação, acelerar a aplicação prática de resultados e construir um ecossistema inclusivo, fazendo com que os dividendos tecnológicos alcancem mais nações e povos.
Prioridade Equilibrada entre Desenvolvimento e Segurança
Nos últimos anos, determinados países ergueram "pequenos quintais com muros altos" em áreas críticas da IA — como algoritmos centrais, capacidade computacional de alto desempenho e dados estratégicos. Essas ações buscam consolidar assimetrias tecnológicas e disparidades de desenvolvimento por meio de regras injustas, privando os países em desenvolvimento do direito de progredir e alcançar avanços científicos.
A China defende a busca simultânea pelo desenvolvimento e pela segurança. Ao mesmo tempo em que acelera os avanços em IA, o país aprimora continuamente suas leis, regulamentos, políticas, diretrizes de aplicação e padrões éticos, garantindo que a IA seja segura, confiável e controlável. Como destacou o presidente Xi Jinping, a IA deve ser uma ferramenta confiável para a humanidade: é preciso atenção rigorosa aos riscos, prevenção contra abusos e garantia de que a tecnologia permaneça sob controle humano. Paralelamente, deve-se combater a generalização do conceito de segurança nacional e a tentativa de sobrepor a segurança de um único país à dos demais.
Aprimoramento da Governança Global da IA
A inteligência artificial é fruto da sabedoria coletiva e um patrimônio valioso de toda a humanidade. Seu avanço e aplicação jamais devem corroer ou prejudicar a diversidade civilizacional e as identidades culturais das nações. É fundamental moldar os valores da IA com base nos valores universais da humanidade, utilizando a tecnologia para promover o respeito, a inclusão e o aprendizado mútuo entre diferentes civilizações.
É necessário praticar um multilateralismo genuíno, fortalecendo o papel central da ONU na coordenação de estratégias de desenvolvimento, regras de governança e padrões técnicos, rumo a um arcabouço de governança global amplamente aceito. Deve-se ampliar a cooperação internacional para ajudar os países do Sul Global a fortalecerem suas capacidades, superando o fosso digital e promovendo o desenvolvimento sustentável, de modo a evitar novas injustiças históricas na era da IA.
Como uma grande nação responsável, a China está sempre comprometida a oferecer bens públicos internacionais na área da IA. O país propôs a Iniciativa Global para a Governança da IA, impulsionou a aprovação por consenso da Resolução da Assembleia Geral da ONU sobre aumentar a cooperação internacional na capacitação em IA e lançou o Plano de Ação para o Desenvolvimento de Capacidades em IA para o Bem de Todos e a Iniciativa de Cooperação Internacional "IA+".
Nos próximos 5 anos, a China vai oferecer 5.000 oportunidades em programas de capacitação e seminários sobre a IA para países em desenvolvimento; criar Centros Internacionais de Cooperação para a Aplicações da IA com a ASEAN, a Liga dos Estados Árabes, a União Africana, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Organização de Cooperação de Shanghai e o BRICS; facilitar a 30 países o uso do "Mazu", sistema de alerta meteorológico movido por IA.
Sendo os maiores países em desenvolvimento dos Hemisférios Oriental e Ocidental e membros de destaque do Sul Global, China e Brasil possuem amplas perspectivas de cooperação na evolução e governança da IA.
Durante a conferência, 29 países — incluindo China e Brasil — assinaram oficialmente o acordo de fundação da Organização Mundial para a Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), tornando-se seus membros fundadores. Trata-se da primeira organização internacional intergovernamental dedicada à IA no mundo. Sua criação responde aos anseios do Sul Global por autonomia tecnológica e desenvolvimento inclusivo, além de ampliar significativamente a representatividade e a voz dos países em desenvolvimento na governança global da IA.
Rumo ao futuro, a China adotará uma postura ainda mais aberta, ações mais práticas e uma visão de longo prazo para enfrentar oportunidades e desafios em conjunto com o Brasil e a comunidade internacional. Devemos sempre guiar a IA pela sabedoria humana e pelo consenso internacional, tornando-a uma grande força positiva que fomente o bem-estar de toda a humanidade e o avanço da civilização humana.





